terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ambicioso, pobre, trabalhador e o pedante, rico, capitalista



Luis era um homem pobre que trabalhava em uma lavoura, como tantos outros por ai. Todos os dias, para não se perder na imensa plantação, ele colocava pedras para marcar seu caminho. Sempre utilizava 5 pedras, e de tempos em tempos, quando estava na hora da colheita, ele colocava as 5 pedras ao longo da jornada e caminhava seguro. Ao final dia, recebia de acordo com o que havia colhido. Nesse momento ficava, também, desapontado, já que seu salário era sempre tão ínfimo. O capitalista, dono da lavoura, era rico, o que era plenamente justificável, visto que lucrava com a exploração dos parvos miseráveis, nada extraordinário para o sistema.

Assim corriam os dias, até que Galdi, outro homem da lavoura, riu de Luis por ele colher sempre a mesma insignificante quantidade. Irritado Luis foi ousado aumentou o número de pedrinhas. No entanto, Galdi continuava a zombar impiedosamente. Então, Luis respirou fundo e aos poucos foi elevando as pedras que deixava pela estrada, logo, já passavam de 17. Sozinho em um raro instante de descanso, concluiu que quanto mais colhesse, mais receberia no final da safra.

O mês foi findando e o pobre trabalhador foi receber o que lhe era de direito. Reparou que a quantia não havia melhorado significativamente e não entendeu. Ao sair, olhou para um quadro, que ele nunca havia notado antes, lá estavam os nomes dos que colhiam mais, os melhores. Os salários deles eram quase três vezes maiores que o de Luis, ele saiu enfezado e foi pra casa.

No dia seguinte, a primeira providência que ele tomou foi observar seus colegas. Contou quantas pedras eles usavam e fazia questão de usar um número maior. Outro miserável viu o que Luis ia fazendo e tratou de espalhar mais pedras que ele. Portanto, colheu mais. Ao lado deste estava outro, que percebeu que os outros dois proletários iriam superá-lo. Revoltoso, fez o máximo que pode para não permitir o acontecimento. Como uma espécie de peste, que se alastra vertiginosamente, os demais se tornaram cada vez mais competitivos.

Empolgado Luis caminhava para receber seu pagamento, ciente de que o dinheiro que receberia seria tanto que ele mal saberia onde guardar. Quando finalmente pôs suas calejadas mãos nas sujas notas, percebeu que recebeu menos que o normal e seu nome não constava na lista dos melhores. Ele foi indo embora cabisbaixo e, parou com um berro dado pela secretária da remuneração. Ela apenas queria lhe informar que ele estava despedido, não havia lugar para incompetentes, improdutivos.

A safra do opulento fazendeiro bateu naquele mês todos os recordes . Sua produção teve um aproveitamento visível. E ele ficou reflexivo tentando entender como tudo ocorrera, uma vez que ele não fez novas contratações, não diminuiu os salários e nem aumentou a jornada de trabalho. Contente e bem pedante, foi andando orgulhoso pela fazenda e por sua capacidade, dita por ele mesmo, natural de lucrar com o trabalho alheio, mesmo involuntariamente.

O tolo capitalista ainda não possuía noção sobre a competitividade, alias ele possuía, mas a competitividade para ele restringia-se ao âmbito externo, fora de sua empresa, ou seja, ocorria entre outros capitalistas. Afundado em suas ilusões sobre o lucro e o capital deixou passar o principal aspecto do sistema.

Moral da história:

O lucro do capitalista transcende a exploração física. Na verdade, o melhor, encontra-se na exploração da competição, logo, do ego (do tolo).

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Mancadas Internacionais 3! O sorvete



Chegar a Israel foi um verdadeiro alivio, depois de 15 horas de viajem. Encontramos o hotel, acomodamos as malas e após o jantar um grupo resolveu conhecer o maravilhoso mar mediterrâneo, até ai tudo correu bem, o que já é bem estranho.

Alguém nos disse: “Vocês tem que tomar o sorvete de Tel Aviv, é muito bom”. Pronto, fomos à procura do tal sorvete, porém algumas pessoas queriam ligar para a família, para avisar que chegaram bem. Eu, obviamente era um desses indivíduos, uma vez que minha querida mamãe disse-me apavorada quando sai de casa: “Quando você chegar liga pra mim, pelo amor de Deus”. Coisa de mãe, pelo menos para a minha isso era normal. E que mãe estaria calma, quando havia acabado de mandar a própria filha para um lugar pacato como o Oriente Médio?Acho que ela estava é com remorso!

Então procurei um telefone público para fazer as minhas ligações, como sempre eu e minha amiga. Avistei um em frente a uma banca de revistas, aproximei-me e tirei o telefone do gancho, porém não consegui usar, parecia não estar funcionando. Eis que para a minha salvação o suposto dono da banca estava vindo em nossa direção, tentei falar com ele, no entanto, ele foi mais veloz que eu. O homem tirou o telefone da minha mão, colocou de volta no gancho, em seguida levantou o aparelho e o levou para dentro de sua loja e a fechou. Eu, atônita olhei para as pessoas que estavam comigo, todos morrendo de rir e eu permaneci sem ação, refletindo sobre educação e derivados.

Por fim achamos outros muitos telefones públicos, fizemos as ligações internacionais e seguimos em direção a sorveteria. Não posso esquecer-me das recomendações estranhas que minha mãe me fez por telefone: “Se você ver um homem batendo em uma mulher com um chicote no meio da rua, não faça nada para defendê-la, isso é normal para esse povo e ainda pode sobrar pra você”, “Cuidado com os homens com roupas muito pesadas, podem ser homens bomba”, “Quando você for entrar em algum lugar sagrado cubra os ombros, para que você não seja apedrejada”...

Na sorveteria tudo parecia sob controle, o sorvete tinha uma cara ótima, uma espécie de pasta bem cremosa, diferente dos do Brasil. O problema e as confusões começaram na hora em que eu fiz a bendita pergunta:

-Você aceita dólar?

O balconista com a maior paciência, o que não duraria muito, chamou seu amigo para traduzir o que eu estava falando. Para a infelicidade dos turistas desenformados eles só aceitavam o shekel, a moeda de Israel. Nos, 11 pessoas, poderíamos muito bem voltar para o hotel e dormir, mas como o tal do brasileiro não desiste nunca, fomos para o hotel e trocamos o dollar pelo shekel. Para os curiosos de plantão 1 dolar vale 3,75 shequeis, percebe-se que trata-se de uma moeda de valor baixo, o que viria a nos confundir mais tarde.

Corremos para o sorvete. Na maior festa todo mundo escolheu o sabor que queria, e ainda pediam para experimentar. No final da bagunça eu fui até o “caixa” e perguntei quanto deu tudo, o rapaz fez as contas e disse, para a sua própria infelicidade:

- 80 shekeis!

Eu naturalmente virei-me e repeti em alto e bom som o que o garoto disse. BastoPreu esse simples gesto para uma das pessoas se manifestarem, não simplesmente uma, A PESSOA que deve ser nomeada, Luciana, a hilária, a responsável pelas melhores mancadas da viagem, e que aparecerá muitas vezes nas postagens. Voltando... ela gritou: Isso tudo? OITENTA?Hã?

Ela só pode ter confundido com a nossa moeda, porque basta fazer as contas que o preço é bem correto. Dividir o 80 por 1,75, e depois dividir o resultado por 11, o número de pessoas. O total desse problema de matemática é de aproximadamente 2,64 dólares para cada um, o que não é nada caro, mas vamos acreditar que a nossa querida Lú se confundiu devido ao excesso de câmbios feitos no dia.

As pessoas começaram a se aproximar, fazendo perguntas para o menino que não estava entendo nada, claro! Ele começou a ficar vermelho e bem nervoso, e eu no meio da bagunça tentava acalmar as pessoas que freneticamente faziam as suas próprias contas, achando os mais variados resultados. Nesse exato momento eu tive a visão de que o próximo inimigo de Israel seria o Brasil, para a felicidade da palestina.A dona Luciana já estava fazendo sinais para o menino, uma verdadeira comedia. Eu peguei a calculadora e fiz as contas, dando o preço exato que cada um deveria pagar.Isso pra mim foi um dos milagres que esqueceram de acressentar na biblia, porque Lara, fazendo conta, so na Terra Santas mesmo. A medida que fui falando os resultados individuais as pessoas foram se acalmando, o rapaz foi voltando ao normal, eu pedi desculpa e ele perguntou se eles, sem contar comigo, eram brasileiros. Eu disse que sim. Entao ele murmurou:

-Agora eu entendo porque todo mundo fala que os brasileiros são loucos, é porque eles realmente são.

Mais uma vez eu fiz a minha reflexão hostil: E o que o mundo pensa dos Israelenses mesmo? Ah sim, que eles são perfeitamente normais, bombas de um lado para o outro, a amizade e o amor caliente, e bota caliente nisso, com a palestina, ai ai.Depois dessa eu me virei e fui direto para o hotel dormir, antes que eu mesma resolvesse bombardear alguém.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Uma questão de vida e de morte



Um dos temas mais polêmicos e controversos da atualidade é a eutanásia. Esta prática, que consiste em abreviar a vida de um enfermo cuja reabilitação é descartada, visa atenuar um sofrimento de modo geral, no entanto, também resgata princípios médicos, religiosos e legislativos que abalam, de certa forma, a sociedade.

Na Grécia Antiga, Sócrates apoiava a morte de um individuo desde que fosse produto de uma doença grave. Em contra partida, Hipócrates era totalmente antagônico, tanto que em seu juramento, que é professado até os dias atuais pelos médicos, asseverava: “Eu não darei qualquer droga fatal a uma pessoa se me for solicitado, nem sugerirei o uso de qualquer um desse tipo”. Todavia, é este mesmo médico que deve realizar ou supervisionar a eutanásia nos países em que o procedimento é legalizado. Isso evidencia uma contrariedade e em função disso, muitos profissionais não aprovam o evento, já que também estão sujeitos a erros de diagnósticos e futuros avanços que podem mudar um laudo.

Outro ponto relevante, é que as três maiores religiões do mundo são contra a eutanásia. Para o Islã, a morte assistida é crime, consequentemente pecado. O Judaísmo por sua vez, juntamente como Cristianismo consideram absurdo o homem ter o poder de controla a vida e a morte, pois essa é uma tarefa restritamente divina. Tais aspectos merecem enorme relevância, já que são as religiões que, na maior parte das vezes, orientam a sociedade e estas também servem de respaldo para muitas opiniões.

Já no âmbito jurídico, esta prática milenar não é mencionada na Constituição Federal nem no Código Penal. Portanto, legalmente o Brasil não possui casos de eutanásia, quando algo similar ocorre denomina-se suicídio ou homicídio. Devido a este fato, o não previsto direito de morte é praticado ilegalmente. Ora, então porque não aprovar tal procedimento?Ocorre, todavia, que a Constituição que através do art1° I e III, prevê “a soberania” e a “dignidade da pessoa humana”, e com isso, acaba respaldando a eutanásia, é a mesma que reconhece através do art5°III a inviolabilidade da vida, conseguintemente a inconstitucionalidade desta prática.


Dessa forma, constata-se que as demandas desta legalização vão além de uma reestruturação constitucional e médica, pois envolve a toda uma sociedade que, na maior parte das vezes, dependerá de um sistema de saúde precário que, por vezes, não assegura a dignidade devida. Então até onde um cidadão poderá acreditar de fato, que não está sendo vítima de uma política oportunista, que visa eliminá-lo, já que o mesmo tornou-se inviável financeiramente para o estado?Logo, evidencia-se que a eutanásia ainda deve ser muito bem estudada antes de uma futura constitucionalização.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mancadas Internacionais 2 :Aeroporto!



Bem, acho que para todas as pessoas que já andaram de avião, essa é uma tarefa bem simples. No entanto, quando você pretende viajar para um país desconfiado de todos os outros, como Israel, essa tarefa não se torna tão fácil como de costume.
  
Obvio que um país que é cercado de “amigos” nas fronteias e além delas deve ficar alerta, e com toda certeza, também, espera o perigo dos lugares mais inesperados, logo, devido aos fatores anteriores, torna-se difícil ultrapassar a fronteira.
  
A primeira vista você é um terrorista, até que se prove o contrario. Algumas perguntas são feitas antes do check in, como por exemplo: “Você está levando algum presente para alguém?”, ”Você deixou a sua mala sozinha em algum momento?”, “Alguém lhe entregou algum envelope ou qualquer outro objeto desconhecido, e pediu que você o levasse?”. Essas são apenas algumas, não me lembro exatamente de todas. Se suas respostas forem não para todas as perguntas a cima, os funcionários iram sorrir e dizer: “Essas perguntas foram feitas porque uma vez um passageiro recebeu um envelope, que deveria ser levado para Israel, mas na verdade era uma bomba”. O funcionário olha para você fixamente, como se estivesse esperando uma confissão do tipo: “A sim, um homem de entregou uma bomba quando eu estava subindo as escadas, só um minuto que eu vou pegar”. Então essa se torna a sua última chance. Agora é a vez de sua mala ser inspecionada previamente, se ela tiver cadeado ou estiver lacrada, pode esquecer, você deve abrir tudo, mas ninguém faz nenhuma vistoria interna nesse momento, só externa, eles apenas pedem para que os lacres sejam abertos.
  
Os rumores que correm na fila do check in são de que as malas são vistoriadas, sem que os donos saibam, essa bendita “passagem de informação”, ou fofoca, sempre começa assim: “Uma amiga minha, conhece uma mulher, que tem uma prima, cuja filha possui um amigo de infância, que disse que quando viajou para Israel, teve a impressão que sua mala foi toda revirada”. Pronto esse fato logo é distorcido e no final da fila o comentário é: “Uma pessoa bem próxima de uma mulher que está nessa fila disse que os guardas têm o costume de passar o detector em cada peça de roupa, até nas calcinhas, porque você sabe que a segurança deles é rígida, são as normas”. Um verdadeiro telefone sem fio, não?
  
E por ai vai, coisas horríveis são ditas e eu uma marinheira de primeira viajem, metida a observadora de tudo e de todos simplesmente fico atenta, calma como sempre, esperando a minha vez.Depois desse drama todo, e de todo esse suspense, tudo deu certo e eu entrei tranqüila na área de vôos internacionais, e claro, fui correndo para o Free Shop! Afinal eu tinha muito que observar por lá! Rsrs
  
Por enquanto sem mancadas, só observações!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Valeu a pena ser uma boa esposa



Devido aos atuais acontecimentos no Haiti, os noticiários não param. Informações de salvamentos heróicos chegam a todo o momento, alguns tão inacreditáveis que parecem realmente um milagre.
 
A menina que foi salva pelos familiares, por exemplo, foi um dos momentos que mais me chocaram, um salvamento complicado e de muito risco. Imagino o desespero e a aflição, uma vez que não havia tempo para esperar uma equipe preparada para este tipo de resgate.
 
Ainda assim, outro me fez sentar no sofá e falar: Nossa! A americana Jilian,que estava debaixo dos escombros da sua casa, teve pouco tempo para pedir ajuda ao seu marido. Frank Thorp, o marido, informou que a ligação durou cerca de 10 segundos,e foi feita através do Skype, e ele nem sabia como sua esposa estava. Só mais tarde tomaria conhecimento da gravidade da catástrofe que abatera a região. Thorp estava em outra cidade, a 160 km da capital do Haiti, e ficou desesperado. Segundo relatos do mesmo, ele entrou no carro e conduziu durante seis horas até chegar a Port-au Prince.
 
Quando chegou, Frank escavou os destroços com as suas próprias mãos, durante mais de uma hora, juntamnte com os voluntários, até que viu sua mulher acenar. Jillian, um colega e o empregado da limpeza acabaram por sair com vida dos escombros. A americana e o colega estavam ilesos, mas o funcionário perdeu as duas pernas na catástrofe.
 
O primeiro comentarios que surgiu em minha casa após a noticia foi : “Ela deveria ser uma boa esposa”, “Ainda bem que eles não tinham brigado do dia”,”Verdade, ele poderia estar com o skype desligado”.
 
Não aguentei, mesmo em virtude das circunstancia, eu tive que rir. As pessoas a minha volta esqueceram-se completamente da catástrofe, e passaram a pensar na vida conjugal do jornalista Frank e da esposa dele Jullien. Então começaram a falar hipoteticamente sobre a vida dos mesmos, e criaram uma grande trama. “E se ela fosse uma esposa ruim” e “Se o casamento estivesse mal, ela estaria...”.
 
Porém felizmente, ao final eles chegaram a uma boa conclusão: Ainda bem que ela era um boa esposa. Com essa eu concordei, e ainda fiquei feliz por poder corrigi-los: Ainda bem que ela é uma boa mulher!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mancadas internacionais 1: “ A caminho do Oriente Médio”



Bem,tudo começa no próprio aeroporto. Uma amiga, da caravana que estava indo para Israel comigo, ficou rapidamente encantada com a cultura judaica.Desde o aeroporto de Guarulhos que ela ficava observando os homens vestidos de preto com cachinhos e chapéus grandes, os judeus. Ela olhava curiosa, como se eles fossem alienígenas,atenta a tudo, e morria de vontade de interceptar algum e enche-lo de perguntas. Confesso que também fiquei entusiasmada com o fato de estar tão perto de uma cultura tão rica e cheia de aspectos interessantes, mas ela com toda certeza me superava.
 
Logo entramos no avião e infelizmente ela ficou distante de mim. O Boeing era bem grande, mas ainda sim ficamos na mesma reta, só que nos extremos. Acomodei minhas bagagens e sentei-me na cadeira que dá para o corredor, porém logo tive que me levantar, pois um rapaz iria se sentar na janela. Ele não pertencia a minha caravana e pelo kippa que estava em sua cabeça pude ver que se tratava de um judeu. Contudo, eu não fui a única a notar esse aspecto, minha querida amiga que se encontrava no outro lado também notou, e não perdeu tempo em gritar:
 

-Guarda meu lugar ai que eu quero sentar do lado desse judeu!
 

Ao pronunciar as palavras em português claro, ela deve ter considerado o fato de que a maioria das pessoas do avião, ou pelo menos o judeu, não falavam português. Eu dei graças a Deus por isso, menos um mico né? Mas essa sensação não durou muito.
 
Então ela correu e sentou-se na cadeira do meio, do lado do destacado judeu. Ele era bem simples e não saberíamos diferenciá-lo dos demais se não fosse o kippa e os barbantes que ele tinha pendurados em seu bolso.
 
Inicialmente ela olhava pra mim com aquela cara: “ Vai fala com ele, vai”. Eu covarde olhava pra ela com a mesma cara: “ Eu não, fala você”. Então eu respirei fundo e tomei um belo fôlego para falar com o rapaz, eu só aceitei ir primeiro porque estava achando que ele não falava português e a minha coleguita não falava inglês, ao contrario de mim. Pois então, virei- me para ele com aquela típica cara de jornalista curiosa e disse: “ Hello, Hi, What is your name...sir?"
 

Por um instante eu pensei que fosse fica ali, olhando pra ele e ele pra mim, mas graças a “Adonai” ele respondeu rapidamente com um inglês cheio de sotaque, que eu não consegui identificar de primeira: My name is Dovi!
 
Depois da resposta eu segui em frente, me apresentei e apresentei minha amiga, disse que tínhamos algumas dúvidas sobre a cultura dele e que gostaríamos muito de tirá-las. O Dovi, nosso amigo judeu, como disse a minha amiga seguiu toda a conversa sendo bem simpático, e eu já desconfiava de seu explicito sotaque, porém fiquei na minha.
 
Durante a conversa eu fazia pausas para traduzir o que tinha acabado de falar para a minha amiga e ela também fazia perguntas sussurradas em meu ouvido. Segui com o dilema de traduções, que particularmente não gosto muito, até que ele confessou falar espanhol, uma vez que havia nascido no Uruguai, e que também entendia o nosso português perfeitamente. A minha cara não queimou, mas o rosto da minha amiga enrubesceu facilmente, uma vez que ele tinha compreendido o que ela havia gritado anteriormente para todo o avião ouvir.
 
Nós rimos e continuamos a conversar, todavia em uma dessas risadas ela esbarrou a mão no ombro ou no braço dele, não me lembro direito. Ele gentilmente sorriu e disse que precisava adverti-la sobre uma coisa:

“Um homem judeu casado não pode encostar em nenhuma outra mulher que não seja a dele.”
  
Eu segurei a minha risada e fiz uma cara de seriedade, porque já sabia desse aspecto da cultura judaica, mas também pensei que ela soubesse, no entanto enganei-me. Essa outra mancada serviu para entrar no aspecto dos costumes que ele começou a expor para nós.
 
Acredito que acabamos com a viajem do Dovi, que quer dizer Davi em nossa língua.Bisbilhotando a vida do coitado,fizemos ele fazer pose para tirar foto, se ele abria um jornal queríamos saber o que estava escrito, porque estava em hebraico, se ele abria um livro queríamos saber se era a Torá ou um Haggadá, e por final fizemos ele repetir tudo o que havia dito anteriormente, porque queríamos filmar,uma verdadeira comedia.
 
Quando finalmente chegamos, depois de 15 horas a Tel Aviv, Israel, ele deve ter agradecido em todas as línguas possíveis!

“Shema Yisrael, Adonai eloheinu, adonai echad”




Continua...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ah o Natal!



O fim do ano vai se aproximando aos pouquinhos, as pessoas começam a pensar nas datas comemorativas, que vem acompanhadas por festas e reuniões familiares. Os shoppings, as praças e alguns monumentos são tomados pelas pequenas luzinhas e é praticamente impossível não ser contagiado por elas. Contudo, o desfecho anual também representa o inicio das famosas liquidações do período natalino, que movimenta o comercio do mundo todo.
 
As maiores e mais caras marcas lançam produtos na vitrine com valores inacreditáveis, com reduções de até 70% do preço original. As lojas lotam, é praticamente impossível caminhar em determinadas ruas durante este período, quem ousa andar, não anda é simplesmente carregado pelo povo que enche as lojas. Grandes estoques são esgotados em questão de minutos e o desespero é tanto que alguns esperam agoniados na frente de lojas antes mesmo delas abrirem.
 
A tão famosa crise econômica parece desaparecer nesse cenário de prosperidade, é cartão de credito pra lá, dinheiro e cheque pra cá e as dividas só vão crescendo. Aos poucos o tão esperado décimo terceiro levanta vôo rapidamente e some sem ser percebido.
 
Muitos brasileiros trabalhando o ano todo somente pra pagar ou juntar dinheiro para esse período festivo, o qual reúne parentes de todos os lugares. A confraternização natalina é algo bem clássico. A família que fica distante o ano todo, que não se fala ou fala mal um do outro durante todo ano se reúne em um ato notável de hipocrisia e paciência unicamente para conservar o espírito natalino.
 
É inegável que reconciliações são feitas nesse período, que pessoas que não se viam a muito tempo se reencontram e matam a saudade, mas toda família tem o famoso estraga prazer, que geralmente é um tio ou uma tia que bebe demais e resolve abrir a boca para falar umas verdades, justamente na noite de natal. Temos vários tipos de estraga prazeres, os que não ficam doentes o ano todo, mas na noite natalina caem de cama sem mais nem menos, os que são tão “mão de vaca” que participam em ultimo caso do amigo oculto, porque desta forma precisam comprar um presente só, e finalmente o mais comum, o aproveitador, que só vem pra comer e falar mal, não trás nada para a ceia e ainda sai reclamando.
 
O Natal por vezes é engraçado e contagiante, mas o importante que muitas vezes não é lembrado é o verdadeiro significado do momento. A reunião e a cumplicidade familiar, por vezes, acabam juntamente com o peru, que é devorado velozmente e durante todo o ano a dita família mal se fala ou se ajuda. Tanto que a frase “Preserve o espírito natalino”, poderia ser facilmente modificada, para “Preserve a hipocrisia natalina”. E tal mudança, para muitos, funcionaria como um belo sinônimo.
   
     Mesmo assim Boas Festas

Os ideais vão para o ralo


No prédio de uma faculdade, geralmente, existe uma sala ou um mural onde colocá-se cartazes e anúncios de estágios oferecendo uma serie de carreiras, voltas principalmente para o interesse público. Os estudantes são encorajados a considerar a perspectiva de passar alguns anos ajudando mulheres espancadas,crianças negligenciadas, condenados ao corredor da morte, os refugiados que buscam asilo, projetos para a libertação dos condenados injustamente, grupos preservacionistas, ativistas ambientais e assim por diante
 

A maioria das faculdades, principalmente as federais, possuem uma crença profunda nos serviços de interesse público, pincipalmente as de direito e medicina. Os estudantes são impulsionados a usar seu diploma em beneficio do mundo.Os alunos do primeiro ano são inundados com as virtudes da advocacia ou medicina voluntária, e espera-se deles um firme compromisso nesse sentido o quanto antes
 

E a maioria de fato se compromete. Cerca de 80% dos calouros alegam ser motivados a estudar dentro destas áreas pelo desejo de ajudar o próximo. Contudo, lá pela metade do segundo ano, as coisas começam a tomar um rumo bem diferente. As firmas, principalmente administrativas, realizam uma serie de entrevistas para selecionar os melhores de determinadas áreas e o que é mais sedutor: elas detêm a chave para uma carreira lucrativa e prospera.
 

Nessas horas ocorrem divisões: os alunos que sonhavam em fazer justiça ajudando os necessitados de repente mudam de idéia e começam a sonhar em trabalhar nas melhores multinacionais do mundo, enquanto os outros que não se deixaram seduzir e se aferram a suas ideologias de mudança
 

É bem verdade que existem aqueles que sempre tiveram o único objetivo ambicioso, de subir na vida, não importa se seja ajudando os necessitados ou trabalhando em uma grande empresa. O que interessa é ganhar dinheiro rápido e em grande quantidade. Outros chegam ambiciosos e mudam de pensamento, são sensibilizados. O que é mais preocupante é que os níveis de “dispostos a ajudar” estão sendo reduzidos a cada dia, em alguns casos podemos dize que o trabalho voluntario não existe mais, porque sempre existe um anseio escuso de se beneficiar em cima de uma boa ação.
 

Com o passar dos tempos, fica dificílimo distinguir interesse de boa vontade. Lidamos com pessoas que mascaram suas ambições, não é possível saber com quem lidamos verdadeiramente, se estamos falando com um ser humano, de fato, ou com um conjunto de desejos misteriosos que podem se prejudiciais ou não.
 

O que é inegável é que muitas vezes deixamos nossos verdadeiros sonhos, para seguir uma falsa ideologia de felicidade e prosperidade, baseada somente em fins lucrativos. Porque a felicidade e a realização não se conceituam somente pelo valor do contra-cheque. Cada um traça seu caminho e encontra um ou vários significados diferentes para cada uma delas, alguns acham o significado no valor do salário que recebem ou que vão receber, outros se realizam unicamemediante pelas ações que tomam, e os sortudos são aqueles que conseguem unir a satisfação salarial com os sonhos, contudo estas pessoas são muito dificeis de serem encontradas, eu particulamente nunca conheci uma, uma vez que o ser humano é ambicioso demais para dizer que está satisfeito

Que dia é o seu aniversário, professor?


Todo mundo conhece aquele tipo de professor que adora contar uma piadinha, ou que faz todos os tipos de analogias para que o aluno memorize a matéria. Devo também fazer uma importante observação: temos os professores bem sucedidos, e é claro os que são um verdadeiro fracasso com o humor.
 
Como gosto de retratar as desventuras da vida alheia é obvio que vou falar daqueles professores que nasceram para dar aulas, mas somente para isso, porque quando entram no ramo da comedia é um verdadeiro infortúnio.
 
Entendo muito bem a boa intenção dessas admiráveis pessoas, contudo eu sempre recomendo e recomendarei um livrinho de piadas, um bem pequeno que pode ser guardado no bolso, sabe? O que custa levar um para a escola? Melhor do que passar vergonha.
 
Posso afirmar com absoluta certeza, que está havendo uma competição interna na escola Guimarães Rosa.E como os educadores de lá também dão aulas em outras escolas, garanto que essa moda de contar piadinhas sem graça vai se espalhar vertiginosamente, como uma peste, uma apropriada praga.Nos alunos, teremos é claro que ouvir trocadinhos mal posicionados sem poder ao menos nos pronunciar, apenas abaixamos a cabeça e respiramos fundo para evitar o seguinte dialogo, que retrata o descontrole de uma aluna mediante o termino de mais um piadinha sem graça
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Aluna – Que dia é o seu aniversario professor?
Professor – Dia 22 julho, por quê?
Aluna – Que bom! Vou te dar um presente, um livrinho de piadas. Você está precisando.
 
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A deprimente conversa aconteceu na sala de aula, quando uma aluna indignada com as colocações engraçadinhas de um professor, para não dizer o contrario, saiu do serio e com a mais pura educação deu a incrível idéia do livrinho de piada. Atualmente, tenho que confessar que vou optar por um almanaque de A à Z, porque a situação está feia.
 
Ainda convém lembra, que encontramos indivíduos persistentes, estes não se contentam em contar a piada em uma turma, chegam a contar nas duas, como se fosse uma espécie de estatística usada para concluir o que todo mundo já sabe: como humorista você é um ótimo professor.
 
Nisso tudo o que mais me decepciona é o nível dos bons que vem caindo a cada dia. Os que faziam a turma rir conjuntamente estão deixando a desejar, porém eles podem ser perdoados, já que cumpriram a difícil missão de entreter os alunos, e ao mesmo tempo conseguiram contar BOAS piadas. Devemos considerar que estamos no final do ano e o estoque de criatividade vai se esgotando com o passar dos meses e bimestres, juntamente é claro, com a paciência que parece desaparecer aos poucos.
 
Antigamente os alunos sempre soltavam aquelas risadinhas irônicas do tipo: “Que sem graça”.Mas, atualmente, devido ao stress,nem isso chega a acontecer, já que todo mundo está sem um pingo de paciência.Desta forma fica muito complicado rir de qualquer coisa que tenha graça, imagine só rir de uma piadinha ou analogia sem noção.Então podemos colocar uma pequena parcela de culpa na platéia, mau humorada.
 
 Precisamos de férias, definitivamente.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Copenhague, o verdadeiro desastre ambiental



Os ambientalistas e estudiosos em geral ligam os televisores ou comparecem pessoalmente até uma das reuniões mais esperadas pelos mesmos. Alguns vão para protestar e mostrar o evidente descontentamento com as atitudes que o homem vem tomando contra a meio ambiente, e naturalmente esperam atitudes enérgicas e eficazes dos chefes de estado. Outros marcam presença de uma forma mais pacifica, por que irão participa das negociações, defendendo o ponto de vista ambiental, que todos já conhecem, mas por conveniência fazem questão de ignorar.

Lideres mundiais despencaram dos quatro cantos da terra, para fazerem grandes discursos ou só para gritar:

- Minha ilha está sumindo

No entanto, a grande figura, Barack Obama, que até então representava a diferença e a tal mudança, deixou a desejar e apenas proferiu um discurso tão conservador que ressuscitou os próprios fantasmas republicanos e com toda certeza abalou a “lua-de-mel do presidente com a opinião pública”. Obama apenas pareceu cumprir conveniências, já que está com as mãos amarradas pelo senado. A china foi na aba, alegando que não iria tomar providencia alguma, uma vez que os norte-americanos também não haviam feito nada.

O Brasil entra em cena fazendo reivindicações fortes. O excelentíssimo filho do Brasil desafiou os países ricos, jogando na cara o passado sujo de dióxido de carbono e outros gases poluentes. Apesar disso nada pareceu adiantar, quer dizer uma pequena reuniãozinha, com direito a infiltração de Obama, mas daquele tipo: “ para não dizer que não tentamos” , encerrou a tão esperada noite.

A confirmação do fiasco foi evidenciada com a fuga dos representantes. Muitos deixaram o local antes mesmo de fazerem a tão famosa foto, que junta os representantes de cada lugar do planeta. Esta é uma maneira de eternizar o encontro, e também mostrar os líderes que compareceram ao encontro, no entanto como ninguém pretendia ter sua imagem associada à tão “desastrosa” reunião, a foto simplesmente deixou de ser feita!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nem uso!


Sabe aquelas pessoas que fazem colas quilométricas e ainda tem a cara de pau de dizer: Ah! Nem uso!Então, se você é uma delas provavelmente deve estar pensando em uma serie de desculpas para justificar tal comportamento, não se preocupe, eu não conto nada para o professor, apenas escrevo.

Um fato me chamou atenção durante uma aula de química, uma menina estava sentada na primeira cadeia e com um minúsculo pedaço de papel tentava colocar todas as formulas matemáticas possíveis, como colocar Minas Gerais dentro do Espírito Santos. Ela chegava a se contorcer, sem ao menos preocupar-se com o professor que estava a sua frente. O docente assim como qualquer pessoa, em seu estado normal de ciência, assustou-se. Adivinha qual foi a resposta clássica? “Professor, na hora da prova eu NEM USO”

Entendo muito bem que cola sempre ajuda a decorar, afinal o principio desse meio ilícito de conseguir pontuação é :colocar uma quantidade sobrenatural de informações em um pedaço mínimo de papel e fazer uso deste mesmo durante um teste. A definição todo mundo conhece, quem usa e quem não usa, mas porque não antecipar a cola? Se a prova é na segunda porque não fazê-la no sábado? Antes que o Ricardinho, um menino muito aplicado que costuma estudar tanto que começa a semana cansado ( não esqueçam que sou irônica), venha falar: Final de semana é sagrado! Tudo bem, aceito com absoluta certeza a importância cultural, religiosa e festeira do desfecho semanal, porém a antecipação da cola seria uma medida infalível. Não estude tanto fazendo a sua cola 1 aula antes da prova, copie apenas o mais importante EM UM PEDAÇO DE PAPEL MAIOR e depois amasse e jogue fora, faça o mesmo outra vez, e outra vez.

Compreendo que pode ser um teste e tanto de paciência, todavia já foi comprovado que a repetição influencia diretamente na memorização, de tanto ouvir a mesma musica acabamos por decorar a letra (ainda que esta seja em inglês e você cante tudo errado, você aprende)

Obviamente que essa técnica não vai funcionar com os coladores que catam respostas de provas diferentes, alguns deveriam trabalhar no IBGE fazendo estatísticas, porque consulta é tanta que dá para fazer a porcentagens de alunos que marcaram letra a b ou c. Por incrível que pareça essa espécie vem crescendo exponencialmente e o próprio meio trata de possibilitar a variabilidade genética que esta ligada as condições ambientais, ou seja, se a cola será feita por borracha, papel ou via olho depende do professor e da prova.

Qual seria a solução para estas pessoas?Não há. Simples e fácil, não é?Evidente que estou desconsiderando os clichês como: é só estudar que resolve. Provavelmente toda a comunidade cientifica juntamente com a CIA, ONU e a NASA, nada a ver né? Estão todos aplicadíssimos em desmascarar os coladores de plantão que vão se alastrando pelo mundo com o respaldo da tecnologia. Algumas escolas americanas intensificam cada vez mais o número de fiscais para evitar as consultas impróprias, todavia a comunicação entre alunos é inevitável, sem contar que os meios que podem ser utilizados são infinitos, afinal nunca se sabe o que mentes tão aguçadas para o mal podem armar.

Vale lembrar que os melhores coladores são também excelentes atores, não tem como não ser. A descrição também é uma qualidade inexorável, porque pessoas chatas e indiscretas são simplesmente insuportáveis, não há coisa pior do que alguém indiscreto pedindo cola. Alguns faltam pouco colocar um outdoor ou balançam tanto a cadeira com o pé que qualquer fiscal tonto poderia se tocar e pegar a prova. Quer colar? Pois então saiba disfarçar, não deixe que ninguém o veja, para manter a sua própria imagem intacta, porque depois que alguém identifica o colador ele está marcado, este terá sempre que mudar de lugar durante a prova e o professor olhará sempre em vossa direção.

Depois de toda essa apologia, acredito que devo terminar com algo bem moralista, porém odeio o falso moralismo sustentado por muitos por ai, pois então, sinceramente acho que a cola é um meio muito sujo quando utilizada em concursos, afinal você está tomando o lugar de alguém ilicitamente, deve ser exatamente por este fato que estas provas são vigiadas de uma forma melhor com mais segurança e preocupação. Outra situação é o que ocorre na escola, muitas pessoas por não serem tão boas em determinadas matérias acabam por pedir ajuda, algumas até estudam, mas a dificuldade as impede de tirar notas azuis, é o que tenho visto freqüentemente, estudantes que tem um conhecimento maior da meteria ajudam aqueles que não possuem um rendimento tão bom, isso me parece muito mais inocente do que fraudar formas de conseguir um gabarito para passar em um vestibular, embora ambas sejam desonestas

Quem cola ou quem passa a cola está correndo risco, contudo estes estudantes possuem plena consciência das conseqüências e dos motivos que os levaram a tal ponto e põem na ponta do lápis se vale a pena ou não tomar esta atitude. Uns colocam a cabeça no travesseiro e não dormem, pensam no mal que fizeram para alguém, outros fecham os olhos e descansam tranquilamente sem se preocupar com sua atitude. A reação é algo completamente individual, tudo depende apenas de sua índole e caráter, só não julgue se não for de sua competência fazê-lo. Atire a primeira pedra quem nunca colou ou passou cola!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fantasias de Manuel Carlos


Quem nunca se iludiu com as novelas fantasiosas de Manuel Carlos? Pois é, isso é uma coisa plenamente comum e clássica. Este humilde autor nos faz viajar para lugares inimagináveis para nosso bolso, e possíveis somente para a imaginação.

Um ótimo exemplo é a novela Viver a Vida. Uma modelo pouco rica e famosa viaja a todo o momento para todos os lugares mais lindos da terra, e consigo, além do dinheiro, leva um José Mayer na frasqueira, uma coisa completamente possível, levando em consideração as roupas baratas da 25 de março que a top model usa.

A trama resgata aquela velha proposta romântica de escapismo, fugir da realidade e deixar-se embebedar por coisas novas, diferentes do cotidiano de muitos brasileiros. É exatamente nesse aspecto que se encontra o maior problema nisso tudo, uma vez que existem certas pessoas que entram no falso glamour noveleiro, tentam trazer tudo para o próprio dia-a-dia. Não acredita?Pois então, vejamos um hiperbólico exemplo de tais afirmações, tenho certeza que você já presenciou ou conhece alguém que se encaixa no perfil e qualquer um deles.

Todos os membros da família param suas atividades e sentam-se na frente da televisão, só para assistir a novela das oito, até ai tudo bem, contudo as cenas de amor fazem a dona de casa que trabalha o dia todo, e não tem a mínima atenção do marido, ficar cada vez mais indignada com a vida monótona e cansativa que leva. O marido olha a protagonista que desfila mostrando suas curvas e lindos cabelos para quem quiser ver, então este homem que chega e à casa cansado olha para o lado e vê sua esposa de dedinho no cabelo, com o rosto inchado de tanto creme, suspira e pensa “ Bem que eu poderia ter casado com a Tais Araujo, se eu tivesse esperado quem sabe arrumava alguma coisa melhor que esse dragão?”. A filha se empolga com as roupas da patricinha riquíssima, filha do protagonista, e entra em depressão toda vez que houve alguém falar de novela, já que sua família não tem poder aquisitivo pra bancar tanta roupa. Para finalizar a catástrofe familiar, o filho que está de recuperação na escola dês do inicio do ano vê ao final de cada capitulo os depoimentos de pessoas que passaram coisas muito piores que isso na vida e se sente, acha que uma nota baixa não fará diferença. Pronto o circo já está formado

A mulher joga na cara do marido que ele poderia ser mais inteligente e delicado com ela como o Marcos, José Mayer, é com a Helena, em contra partida o homem responde voraz: “E você poderia ser mais magra como a Helena também. A menina urra de raiva porque a progressiva não está mais na moda, porque a protagonista usa cabelo cacheado. O menino pula de alegria porque tirou 1 na prova de matemática que valia 3, e ainda defende a sua tese: que tal sistema capitalista nunca poderá conhecer seu dons de fato e até o final da e novela ele irá dar seu depoimento, já que considera um absurdo o não uso da calculadora, uma verdadeira forma de opressão e preconceito com aqueles que não conseguem dividir 5 por 2 em tempo hábil.

Obviamente que a autora deste texto não é nem um pouco exagerada e irônica, mas quem nunca se comparou ou comparou alguém com algum personagem? Só quem não vê novela –mesmo assim tem sempre aqueles intrometidos que pegam o bonde andando e qurem sentar na janela, não é?Bem, sendo um pouco pessimista quero ressaltar que os suicídios no Brasil são relativamente baixos, contudo se Manuel Carlos continuar a escrever creio eu que os níveis cresceram assustadoramente, porque o drama vivido pela protagonista é “suicidante”- um neologismo justo, ok? – Gucci ou Gabana? Apartamento de 50 milhões de dólares ou casa de 50 milhões de dólares?Voltar para o rio de iate ou de helicóptero?Roma ou Paris?

Não importa qual será a escolha de Helena,apenas quero ficar viva para ver o dia em que TODOS os brasileiros terão a oportunidade de fazer somente 2 delas.O que sinceramente , acho que não vai acontecer tão cedo.Ainda que sonhar seja de graça pare de babar, e acostume-se com a classe econômica da novela, esta que mais se assemelha ao mundo real ou ao pesadelo diário, como preferir.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Fim do pó de giz



Assunto dessa postagem pode até parecer desatualizado ou bem antigo, em vista que a maioria das escolas já adotaram esse objeto a muito tempo, porém na Tradicional Escola Guimarães Rosa, um quadro branco é uma novidade sem tamanho. Muitos alunos que retornaram das férias depararam-se com a novidade, e provavelmente suspiraram, dizendo: Graças a Deus!

Pode até parecer uma espécie de hipérbole, mas durante as aulas de química eu, particularmente, me sentia uma legitima “cheiradora” de pó – de giz -, uma vez que o meu querido professor batia o apagador no quadro, fazendo com que aquela nuvem de pó branco caísse sobre a minha mesa, sem cortar que meu fichário ficava infestado de pontinhos brancos.

Agora com o quadro branco a vida fica muito mais fácil, tenho que conviver somente com os garranchos de alguns teachers e obviamente com a má qualidade dos benditos pinceis.

A promessa havia sido feita no meio do ano passado, rumores de um quadro branco circulavam na escola, mas o primeiro ano se foi e nós – os alunos - continuamos a ver o pobre do Wanderley fazendo aquelas caretas para apagar o quadro. Alguns professores escolhiam o apagador ao acaso, então às vezes eram “premiados” e acabavam pegando aqueles que nem tinham mais a parte esponjosa, madeira pura. Pra apagar o quadro negro era quase uma musculação. Agora, com toda essa tecnologia – hahaha – palparemos nossos queridíssimos professores, e quando o Wanderley exercer aquela força sobrenatural para apagar o quadro ele vai acabar atravessando o mesmo.

Os benefícios também vieram para a professora de história, que de tanto circular pela sala, chegava ao fim das aulas com seu cabelo preto, praticamente branco – só me falta ela se sujar de tinta agora-. Além disso, senti muita pena das blusas da professora de biologia I, tão bonitas e limpinhas, terminavam o dia manchadas, por causa do maldito pó branco.

Ao que me parece a nova mudança agradou a todos, porém os cadernos de pauta dupla deveram retornar, contudo desta vez estes serão utilizados pelos professores, não custa nada praticar um pouquinho, né ?.

Tudo termina em pizza


O Brasil é um país singular, tenho que admitir. Somente aqui encontramos as piores pessoas – com algumas mínimas exceções – ocupando os melhores cargos, e ainda por cima os mesmos que regem a nação são aqueles que atraem o maior numero de confusões e polemicas. Destaco o cargo de político inicialmente, que se tornou um palavrão dentro da nação, se alguém ousa por acaso pronunciar a seguinte frase: “Eu quero ser político”. Temos duas opções: ou o cidadão quer usar um sinônimo para: eu quero ser ladrão! Ou ele não terminou e quer complementar com: Para mudar essa situação lamentável da política brasileira.

Assim como o Natal, a Páscoa e o Ano Novo são datas esperadas comummente durante o ano, escândalo no plenário seguem o mesmo tramite. Uma linha do tempo poderia ser feita com tantos casos de corrupção e transgressão da lei, contudo esta deveria ser mensal, uma vez que são inúmeros episódios. O mais recente e problemático foi Sarney, o último – até que enfim – da velha guarda que manipulava o país. Como já era de se esperar ele: NÃO FEZ NADA, NÃO SABIA DE NADA, FOI USADO, É PURA INTRIGA DA DESPUDORADA OPOSIÇÃO QUE NÃO MEDE ESFORÇOS PARA DEAMAR UM HONESTO COLEGA PARTIDARIO. A maioria dos Senadores e Deputados assentiram com o discurso ingênuo de um pobre injustiçado, e mais uma vez tudo termina nos arquivos processuais. Como disse Alexandre Garcia: “Defender Sarney é como defender a eles mesmos, protegendo assim os vulneráveis telhados de vidro que cobrem a reputação dos membros da política brasileira”.

Entrar no senado é como vender a própria alma e despir-se de todo caráter, respeito e compromisso mantido com o povo durante a candidatura.

Na última vez que abri a minha boca para elogiar alguém deste meio decepcionei-me, cheguei realmente a pensar que Renan Calheiros era um excelente político de caráter inabalável, fazia deste uma exceção em meio ao zoológico de Brasília, porém dias depois me deparo com a Veja, falando de laranjas, desvios e lavagem de dinheiro. Dês de então prefiro ficar de boca fechada, para evitar asneiras como esta.

A situação está tão feia que às vezes me pergunto se meu professor de redação vai ou não retirar pontos de mim, por falta de coerência, uma vez que político e honesto já não podem ficar juntos na mesma frase. Com algumas minúsculas exceções, é claro!





“Sei que a miséria te assusta e a violência é um inferno, mas a fonte real de todo mal são os bandidos de terno.”
Os seminovos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

As Rebeliões de sexta-feira em : " A bolinha de papel"


Obviamente que em toda sala de aula encontramos aqueles adeptos a sentarem na frente.Bem, quando um desses estudantes resolve rebelar-se sentar na última cadeira pode até parecer algo incomum para o professor, mas e quando mais de 10 alunos, motivam-se suficientemente para ocuparem as últimas cadeiras? Pois então,este fato ocorreu, provocando um assombro coletivo. A frase histórica “até tu Brutus” foi pronunciada duas ou três vezes, e alguns professores aproximava-se para ver de perto a singular cena, algo inacreditável.

Em meio a este contexto já conturbado esse mesmo grupo de novos rebelados inicia uma guerra de aviões.Era só o “maestro” virar-se para escrever alguma coisa no quadro, que o caos aéreo começava juntamente com a queda de enormes meteoros.

Os “novos descomprometidos com a ordem” faziam festa, riam, outros descansavam ouvindo MP3 e outra planejava uma forma de ganhar dinheiro através de uma descomunal aposta. Até que durante a aula de espanhol, uma indisciplinada aluna encontrava-se no meio de seus amigos recém chegados ao fundão, e por meio de bilhetinhos esquematizou com seu cúmplice a tarefa deste, que nada mais era do que incentivar os caros colegas a apostarem que a desregrada conivente jogaria uma bolinha no professor de espanhol.

Assim foi feito,os sádicos estudantes ansiavam para ver o professor atingido e conseguintemente a bronca ou a punição que este aplicaria na meliante, porém os ardilosos que projetaram todo esse esquema já haviam comunicado ao professor anteriormente, ou pelo menos avisado ao docente que tudo seria apenas uma brincadeirinha, tudo estava certo e fora planejado uma semana antes – porque você não pode esquecer que estamos lidando com pessoas inteligentes, que jamais se arriscariam em tomar uma ocorrência ou deixar que sua imagem seja maculada, por tal falta de respeito.

Tudo procedeu conforme o combinado, no exato momento em que a bolinha acerta em cheio a parede a qual o professor encontrava-se, a uma distancia mínima de seus ombros, ele vira-se ferozmente, com uma voz odiosa, esbraveja: - Quem foi o palhaço que fez isso? Porque para mim isso é uma tremenda falta de respeito, não foi homem para jogar o papel, agora tem que ser para assumir o que fez!

O restante da turma suspirou, alguns engraçadinhos gritavam: “E se for mulher professor?”. A menina olhou apenas para o seu cúmplice, que também indeciso sobre o que fazer não entendia nada. Será que o professor havia esquecido? Pronto, a imprudente aluna de mentira transformar-se-ia em imprudente de verdade. Ficou quieta sem se pronunciar, esperando que o homem se lembrasse do combinado ou que apagaria o fato de sua memória falha, todavia nada disso ocorreu, ele voltava sempre no mesmo assunto e durante aproximadamente 20 ou 30 minutos a turma esperava apreensiva.

O tempo foi esgotando-se aos poucos e ninguém falava nada, as inúmeras tentativas de intimidação do educador foram insuficientes. Por final este já se encontrava descontraído, rindo até. Finalmente para o alivio dos “justos” e para a tristeza dos sádicos o sinal bateu, e nada aconteceu.


Moral da história: Se for combinar algo com algum professor, escolha os mais novos, evitando assim lapsos de memória, descontroles emocionais como: bipolaridade e outras conseqüências.(se você professor querido, ler isso, saiba que é só uma brincadeirinha para descontrair e que eu também não respondo por mim quando estou sob efeito do meu remédio, eu tomo um monte de remédio sabia?).

OBS: Ah, para os tolinhos que não entenderam toda a ironia, a menininha do texto era yo (eu)!



segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sociologia ou Teologia ?


Provavelmente você que leu o título à cima deve ter achado graça da autora do mesmo, uma vez que todo mundo sabe a diferença entre as duas ciências citadas ou se não sabe, pelo menos tem o conhecimento pleno de que estas são distintas, mesmo que acabem ligando-se em determinados pontos. Diferencia-las pode nos parecer facílimo, contudo na hora da aplicação em si, as pessoas acabam confundindo, o que é o que.
Eu mera mortal - como diz a professora Patrícia - não ousaria jamais defini-las com meus básicos conceitos, portanto optei por um querido amigo: O dicionário. E este mesmo diz:
- Teologia: doutrina da religião cristã, doutrina. Estudo dedicado à religião ou ligado diretamente a esta.
- Sociologia: estudo e conhecimento objetivo de realidade e dos fenômenos sociais

Agora que demos “nomes aos bois”, fica tudo muito bem resolvido. É ai que está o problema, ensinar o que é Teologia e o que é Sociologia literalmente é fácil, mandar os alunos pesquisarem o significado ou até mesmo pedir que os últimos leiam determinado capitulo e façam um resumo deste é mais fácil ainda, porém separar as duas claramente já é mais complicado.

Na escola a Sociologia mostra-se como uma matéria ampla, onde podemos discutir diferentes assuntos evidenciando opiniões diversas. A disciplina torna-se interessante quando temos perspectivas diferenciadas sobre muitas situações, e aprendemos não só a conviver com o conceito do outro, mas também a defender o nosso próprio ponto de vista. Mas e quando conhecemos somente uma das muitas opiniões? Quando a própria ciência teológica acaba de certa forma bloqueando as outras visões do problema? Quando o próprio “mestre” deixa sua opinião transparecer – o que não é de forma alguma errado - e para defender a mesma embaraça todo resto? Do contrario que se pensa não é qualquer um que pode ministrar tais disciplinas, não basta ser sociólogo ou teólogo, para dar aulas destas matérias, - penso eu - deve-se ter o simples dom de: demonstrar seu ponto de vista, de acordo é claro com sua doutrina de vida e religião, mas não esquecer de forma alguma que existem muitas outras – que podem sim ou não bater com a filosofia de vida deste – que devem ser destacadas com a mesma relevância, por igual.

Não critico a inclusão da teologia durante as aulas de sociologia, é interessantíssimo orientar religiosamente os “adolescentes” – e este acaba sendo um aspecto sociológico - entretanto o mesmo assunto às vezes enjoa, não? Imagine deixar discutir a visão geral sobre aborto, pedofilia, eutanásia, violência urbana, corrupção, vocações e outros para bater sempre na mesma enfadonha tecla: religião. É útil saber o que determinado seguimento religioso pensa sobre um problema, contudo não é suficiente, porque vivemos em uma geração que precisa de mais, quer sempre mais, vê além e de jeito nenhum aceita um conceito pronto e muito menos deixa que este seja imposto.

Então aqueles poucos alunos que já pensavam que a aula seria chata: ganham apenas mais testemunhas de que o triste fato é verdade. E os outros que achavam que iriam encontrar novas idéias e conseguintemente conhecimento: juntam-se ao restante da turma que se pergunta em coro: Aula de Sociologia ou Teologia?

Fica aí o meu protesto, quer dizer... OPINIÃO!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vegetal de saia

Todo mundo conhece um vegetal de saia. Essa expressão pode ter o seguinte significado: uma menina geralmente sem cérebro, com falta de inteligência opcional, de corpo bonito, escultural, contudo isso é só, uma vez que esta é totalmente desprovida de intelectualidade. Agora provavelmente, você lembrou de todas e está fazendo uma lista enorme.
Não dispenso a beleza feminina, muito pelo contrário, penso que a aparência é o primeiro cartão, e este deve ser bem fixado, porém jamais confunda beleza – diretamente associada com elegância – com trivialidade – que está coligada com vulgaridade -. Mas com toda essa febre de frutas por ai, eu não pude me conter, embora o tempo tenha passado e elas – as mulheres com nome de fruta – venham a apodrecer, como é normal.

Bem como já diziam: “a falta de criatividade é uma coisa que pega no nosso país” – não sei se já perceberam, mas pega – Quando a primeira emissora revelou uma mulher, com partes corporais semelhantes a uma fruta, cujo nome é Melancia, espalhou-se repentinamente uma virose, frutificando muitas outras, dentre estas: melões, morangos, samambaias... etc. E mais que de repente elas começaram a tomar toda a mídia, e só se falava de frutas – coisa de país tropical – foi quando também tive a impressão, que estavam até competindo de certa forma. Seres com nomes singulares foram surgindo e ocupando os meios televisivos.

Nessa época de ascendência, só se falava nas qualidades destas mulheres, que por pura coincidência eram só externas e os limites poderiam ser traçados com uma fita métrica bem simples. Tenho certeza também, que os apresentadores ficavam bem receosos ao manterem alguém com um nível cultural tão elevado em rede nacional, tanto que nunca vi um programa ao vivo sem uma gafe ou um assassinato ao nosso amado português. Mas como diz a musica que dá titulo ao texto: “mulher não é melancia, mulher não é samambaia, mulher não é um vegetal de saia”. O que geralmente é usado para dar destaque é de fato “perecível”, e convenhamos: todo mundo enjoa.

Então como era de se esperar, as mulheres clorofiladas dão a volta por cima, e tentam mudar de estratégia para continuar aparecendo nos programas da TV aberta, é fato que algumas até conseguem permanecer mais algum tempo na mídia, o que é bem raro.
Algumas retornam, mas não estão satisfeitas em exibir um corpo sem conteúdo e oco, querem também dançar, cantar e às vezes até arriscam prestando entrevistas. Passam a topar tudo o que é proposto pelas produções. A humilhação em público, ou em rede aberta é freqüente, os papelões, os erros – não só da língua portuguesa, mas também da inglesa – e consequentemente a exposição excessiva. São alguns clássicos, estes as fazem descer de programação. Em seguida somem sem deixar nenhum vestígio – para a vingança de algumas, para a alegria de outras ou para uma simples afirmação ser comprovada: “Se os que possuem conteúdo são raramente valorizados, o que será de alguém, cujas curvas corporais são semelhantes a frutas e nada mais?”.

domingo, 10 de maio de 2009

Sinfonia Biológica



Gregor Mendel, genética e probabilidade são palavras amadas por alunos do 2° ano! Todas aquelas contas para saber quantos filinhos de ratinhos vão nascer ou se o membro da 2° geração terá ou não a doença que os pais tinham. Isso ai, quem está lá sabe muito bem do que estou falando, e se por algum acaso você está lá e não sabe, que pena, acho que teremos notas baixas na prova NOVAMENTE!(prefiro até deixar esse assunto: “notas baixas”, para outra postagem, uma vez que o desastre na última prova de Biologia I continua abalando muitos, será muito interessante “eternizar” tal catástrofe).

Voltando... Essas “aulinhas” (como diz alguém que me fugiu o nome no momento) são bem enérgicas e fazem qualquer aluno que dorme durante aulas, ressuscitar de uma maneira surpreendente. Deve ser porque a professora é um posso de ATP’s digamos assim, esta provavelmente consome algum tipo de vitamina sobressalente, é simplesmente inexplicável! Ela entra coloca os livros na mesa, velozmente pega o giz e a flanela (que insiste em cair no chão), enche o quadro de matéria, e quando a turma esta inquieta e falante é melhor ainda.A única coisa que para temporariamente esse amontoado de moléculas energéticas é : Bom dia professora!

Então a mesma vira-se TODA SERELEPE para a turma e com aquele sorriso conhecido por todos, diz: Bom dia! Hehe, uma risadinha contida, meio sem graça de quem está super interessada em dar bom dia (se é que me entendem), e aqueles olhos meticulosos percorrem a sala, com tal velocidade por cima dos óculos finos, temos somente o tempo de calar a boca e olhar para frente, antes que ele ( os olhos ) nos encontrem. E o ritmo incomum volta com toda força, são celulinhas para um lado, gametinhas para o outro e notas baixas para todos. Esta é a famosa sinfonia biológica que contagia aluno por aluno no Guimarães Rosa.

Convenhamos é claro, que algumas notas são mais que merecidas, não estou de forma alguma generalizando, pois é de conhecimento geral que existem alunos bons ( que se ferram ) e que existem alunos péssimos ( que se dão bem, quase sempre !). A minha opinião pode até não bater com a de muitos (o que pouco me importa também! haha), mas o interessante é destacar o desespero, o que inclusive me comove as vezes. Um bom exemplo disso são os exercícios (falam que não fazermos! Eu me garanto pelo menos), observo alunos que não pegam se quer um livro para estudar, fazendo exercícios de Biologia, o que eu quero dizer com isso? Não, não digo que o problema está na professora, pois esta faz sua parte, e olha que muito bem. Digo, sim! Que o defeito maior encontra-se no calendário de provas ( POD DEIXAR QUE LOGO VOU POSTAR SOBRE ESSE PROBLEMA TAMBÉM ), cada vez mais apertado e sufocante, para nos alunos, que não temos nem tempo se quer para revisar a matéria dada no momento ( como querem que façamos), ora que no respectivo dia faremos avaliações, que agora serão de duas matérias parecidíssimas. Complicado ? Muito! Espero mudanças no mês de maio.


“ Humm... Pronto falei não sou baú!”



Lara Santos

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quem gosta de literatura ?




_ “Oi gente, vamos estudar literatura hoje, legal né ?”

É simplesmente impossível não ficar contagiado com essa frase, ainda mais quando ela é proferida de uma forma tão irônica e alegre ao mesmo tempo. Se você é espertinho já sabe de quem eu estou falando, então também conhece a resposta dessa frase, obvio que a nossa querida professora não deixa ninguém responder, até mesmo porque o silêncio que fica na sala é inigualável, mesmo existindo alunos que gostem da matéria, é bom ver como ela vai agir mediante a “tal afronta”.

A enérgica professora toma partido e diz logo:
_ “Todo mundo gosta de literatura, claro! Uma matéria tão divertida, interessante, cultural...” (e atribui muitos outros adjetivos). Então faz questão de terminar o monologo com um riso sarcástico. Às vezes tento adivinhar o que passa pela cabeça dela mediante essa situação, talvez algo do tipo: Vocês vão ver na prova do livro, seus insensíveis.

Todo professor do Guimarães Rosa é um grande ator! É bom observar esse aspecto, porque este é incontestável. A forma como a mesma sobre citada tenta nos fazer entender e nos envolver com determinados poemas, com toda a certeza é teatral, e de certo dificílimo de não rir ou chorar (ainda que esse choro seja falso, porque uma lágrima vale um ponto). Sem contar com a paciência, da encenação! Que outra professora interpretaria tão bem uma caminhada pela praia, a trás da mulher amada, sendo que não passa de um vulto branco? Pois então, a corajosa docente enfrenta todos os risos alheios e ainda ri de si própria ao deixar escapar palavras... Digamos que mal colocadas ou de sentido amplo melhor dizendo, um bom exemplo, é a explicação do poema do “Beija-Flor”, é justamente na boa vontade de acertar, que esta comete o maior dos erros, pois seus esclarecimentos após uma mancada são sempre muito mais engraçados.

Apesar de tudo, é claro que a nossa querida professora Flavia (chega! Cansei dessa bobeira de não poder colocar o nome de professor aqui, saco!) sempre sairá bem dessas situações, isso porque eu sou uma pessoa muito otimista, do contrário diria que não! Contudo o que importa é que os motivos para zuações serão infindáveis e nunca vamos nos esquecer de determinados poemas e autores, estes serão devidamente lembrados, juntamente com a figura cômica de uma peculiar professora, e acredito que esta concretizou seu objetivo.

OBS: a imagem a cima faz referência a mais uma das atitudes da dona Flavia, quando esta disse para o gringo da nossa sala escrever “eu amo literatura”, coitado nem sabia o que estava
escrevendo.
Lara Santos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Tudo de novo



É incrível como as pessoas mudam de pensamento tão rápido. Reclamam incansavelmente o ano todo, pedem férias e falam mal o quanto podem das aulas de sábado, mas é só chegar o tão requisitado “recesso” que os mesmo pedem para voltar. Adoram comprar material novo, e estão loucos para rever os amigos e conhecer o novo corpo docente. Isso é o clássico de sempre.

Mas depois de algumas semanas tudo volta ao normal, e começamos o ciclo novamente, (bem, é fundamental dizer que muitos nem ao menos entram no “ciclo” o qual me refiro, parecem estar em uma colônia de férias eternas e só se tocam de que as aulas começaram em fevereiro, porque será?) as provas já estão ai, os professores estão cada dia mais rápidos e sem tempo de falarem o “bom dia”, isso mesmo aquela saudação que é feita ao entrar em lugares onde já existem pessoas, geralmente é utilizado nos primeiros dias de aula, é facilmente esquecida.
E os que antes pediam para voltar a tão querida escola, batem o pé com raiva, quando a Zezé (coordenadora) não os deixa entrar sem uniforme ou sem tênis, isso vale para os veteranos, digamos assim, que apesar de aparentarem familiaridade com o rigoroso sistema, parecem sofrer de um súbito surto de Amnésia, quando palavra regra é mencionada! E os novatos? Ah estes sim, chegam empolgados, sorrindo e muito felizes.
A ficha demora um tempo para cair, a de alguns só despenca quando a nota da primeira prova é anunciada, a de outros já vem caída, geralmente a dos que teem irmãos na escola, ou que por algum acaso viram um aluno da escola estudando desesperadamente nesses centros de apoio ( a conhecida FLAVIANA). É claro que não cabe a mim, e nem a ninguém acabar com a alegria dessas pessoas, embora muitos alunos insistam em “botar terror” nos que vêem chegando, assim não gosto, não há nada mais agradável que ver rostinhos contentes e sedentos caminhando pelos corredores do castelo de idade média, ou melhor: colégio, também é bom saber que estes diferentemente de mim escutam palavras tão doces como: “Eu vou te pegar você”, “Eu vou te amostrar você o que é bom” e “Eu vou te fazer você chorar sangue”. Ah! Mal sabem eles que tudo isso é cumprido até o final do ano. “Te pegar” ele vai, provavelmente na recuperação, “te amostra o que é bom” ele sempre mostra, a nota de uma prova é um ótimo exemplo e quanto ao sangue... Bem isso eu não sei, mas se adaptarmos a frase colocando lágrima ao em vez de sangue, quem sabe não é?

Se você é um “calouro”, não fique assustado, com o tempo você aprende a conviver com tudo isso, e alguns gostam tanto que acabam falando igual ao nosso querido amigo sobre citado. Temos também os inesquecíveis e cômicos professores: em algumas aulas existem misteriosas aparições de certo ET, em outras, a empolgação inexorável, de uma determinada professora que ama alguns poemas, estes um tanto quando suspeitos, sempre temos casos de frases mal montadas, expressões muito mal vistas, para os que realmente conhecem o significado das palavras, ( não entendeu? Pergunte ao professor Rafael o que é NECA, você vai descobri rapidinho), sem contar com as “célulinhas” ,os “povos espartanos” , o famoso “ agrado” e é claro a “acadímia”.
Reclamamos: sim! Criticamos: muito! Mas não há nada mais cômico que a “Tradicional Escola Guimarães Rosa!”.



Lara Santos