terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mancadas internacionais 1: “ A caminho do Oriente Médio”



Bem,tudo começa no próprio aeroporto. Uma amiga, da caravana que estava indo para Israel comigo, ficou rapidamente encantada com a cultura judaica.Desde o aeroporto de Guarulhos que ela ficava observando os homens vestidos de preto com cachinhos e chapéus grandes, os judeus. Ela olhava curiosa, como se eles fossem alienígenas,atenta a tudo, e morria de vontade de interceptar algum e enche-lo de perguntas. Confesso que também fiquei entusiasmada com o fato de estar tão perto de uma cultura tão rica e cheia de aspectos interessantes, mas ela com toda certeza me superava.
 
Logo entramos no avião e infelizmente ela ficou distante de mim. O Boeing era bem grande, mas ainda sim ficamos na mesma reta, só que nos extremos. Acomodei minhas bagagens e sentei-me na cadeira que dá para o corredor, porém logo tive que me levantar, pois um rapaz iria se sentar na janela. Ele não pertencia a minha caravana e pelo kippa que estava em sua cabeça pude ver que se tratava de um judeu. Contudo, eu não fui a única a notar esse aspecto, minha querida amiga que se encontrava no outro lado também notou, e não perdeu tempo em gritar:
 

-Guarda meu lugar ai que eu quero sentar do lado desse judeu!
 

Ao pronunciar as palavras em português claro, ela deve ter considerado o fato de que a maioria das pessoas do avião, ou pelo menos o judeu, não falavam português. Eu dei graças a Deus por isso, menos um mico né? Mas essa sensação não durou muito.
 
Então ela correu e sentou-se na cadeira do meio, do lado do destacado judeu. Ele era bem simples e não saberíamos diferenciá-lo dos demais se não fosse o kippa e os barbantes que ele tinha pendurados em seu bolso.
 
Inicialmente ela olhava pra mim com aquela cara: “ Vai fala com ele, vai”. Eu covarde olhava pra ela com a mesma cara: “ Eu não, fala você”. Então eu respirei fundo e tomei um belo fôlego para falar com o rapaz, eu só aceitei ir primeiro porque estava achando que ele não falava português e a minha coleguita não falava inglês, ao contrario de mim. Pois então, virei- me para ele com aquela típica cara de jornalista curiosa e disse: “ Hello, Hi, What is your name...sir?"
 

Por um instante eu pensei que fosse fica ali, olhando pra ele e ele pra mim, mas graças a “Adonai” ele respondeu rapidamente com um inglês cheio de sotaque, que eu não consegui identificar de primeira: My name is Dovi!
 
Depois da resposta eu segui em frente, me apresentei e apresentei minha amiga, disse que tínhamos algumas dúvidas sobre a cultura dele e que gostaríamos muito de tirá-las. O Dovi, nosso amigo judeu, como disse a minha amiga seguiu toda a conversa sendo bem simpático, e eu já desconfiava de seu explicito sotaque, porém fiquei na minha.
 
Durante a conversa eu fazia pausas para traduzir o que tinha acabado de falar para a minha amiga e ela também fazia perguntas sussurradas em meu ouvido. Segui com o dilema de traduções, que particularmente não gosto muito, até que ele confessou falar espanhol, uma vez que havia nascido no Uruguai, e que também entendia o nosso português perfeitamente. A minha cara não queimou, mas o rosto da minha amiga enrubesceu facilmente, uma vez que ele tinha compreendido o que ela havia gritado anteriormente para todo o avião ouvir.
 
Nós rimos e continuamos a conversar, todavia em uma dessas risadas ela esbarrou a mão no ombro ou no braço dele, não me lembro direito. Ele gentilmente sorriu e disse que precisava adverti-la sobre uma coisa:

“Um homem judeu casado não pode encostar em nenhuma outra mulher que não seja a dele.”
  
Eu segurei a minha risada e fiz uma cara de seriedade, porque já sabia desse aspecto da cultura judaica, mas também pensei que ela soubesse, no entanto enganei-me. Essa outra mancada serviu para entrar no aspecto dos costumes que ele começou a expor para nós.
 
Acredito que acabamos com a viajem do Dovi, que quer dizer Davi em nossa língua.Bisbilhotando a vida do coitado,fizemos ele fazer pose para tirar foto, se ele abria um jornal queríamos saber o que estava escrito, porque estava em hebraico, se ele abria um livro queríamos saber se era a Torá ou um Haggadá, e por final fizemos ele repetir tudo o que havia dito anteriormente, porque queríamos filmar,uma verdadeira comedia.
 
Quando finalmente chegamos, depois de 15 horas a Tel Aviv, Israel, ele deve ter agradecido em todas as línguas possíveis!

“Shema Yisrael, Adonai eloheinu, adonai echad”




Continua...

7 comentários:

Larissa Soares disse...

Eu queria muito estar dentro daquele avião, pode ter certeza, devia ser bem engraçado. Imagino a cara do pobre coitado judeu. Eu quero muito vê esse vídeo que você fez deve estar no mínimo hilário

Lara disse...

Essas coisas são engraçadas depois de um tempo, mas na hora...que vergonha =X

Ana Clara disse...

Como se os micos nacionais não fosem suficientes! rsrs

Anita Dias disse...

"Pois então, virei- me para ele com aquela típica cara de jornalista curiosa e disse: “ Hello, Hi, What is your name...sir?"

Verdade, típica entrada jornalistica. Tem outra que eu uso sempre: "I have a question, sir. Can I..."
E depois tudo sempre flui muito bem. Flor fiquei com pena da sua amiga, puxa vida, tadinha mesmo.
Mas o texto em si ficou super cômico

=) ri muito

Paola Mercur disse...

“Shema Yisrael, Adonai eloheinu, adonai echad”
já aprendi uma oração.

Lara Santos disse...

Pelo menoas alguma coisa, né Paola?

Felipe Ribeiro Sant'Anna disse...

Ele disse:

"Ouça, oh Israel, Senhor e nosso único Deus"!!!

Viajar com vc deve ser show de bola hein? Num tem nenhuma vez que não acontece algo engraçado não??...rsrsrs